Afinal, o que tá na moda?

Dizem por aí que os blogs de democratizaram a moda. Vocês concordam? Eu não. Eu acho que foi bem o contrário, viraram ditaduras do que todo mundo tem que usar, páginas diferentes que dizem coisas iguais. Mas isso é porque eu tenho uma teoria diferente do que é moda.

Pra mim, existem duas modas: uma é a arte de expressar sua individualidade e personalidade através do seu visual e suas roupas, criando uma identidade própria cheia de beleza. Outra é uma indústria que movimenta bilhões de dólares através da criação, divulgação, venda e valorização da produção criativa de alguns profissionais.

Só que, às vezes, os consumidores e profissionais envolvidos com essa segunda definição de moda invertem o poder das coisas.

Por exemplo, pra mim a corrente correta é assim: alguém começa a usar uma coisa nova e diferente, cheia de personalidade. Outro alguém vê isso na rua, acha interessante e tenta fazer algo parecido. Quando a gente vê, tá todo mundo de sneaker, saia mullet ou qualquer do tipo.

Mas, nessa hora, a indústria da moda se apropria dessa criação, como se fosse dela, e institucionaliza que todos nós deveriamos estar usando essa (so called) tendência. Ah! E que quem não estiver vestindo ela só pode ser brega, sem personalidade e deve ser urgentemente castrado e proibido de ousar falar ou agir como se fizesse parte dessa coisa chamada moda. Inclusive aquelas pessoas que criaram isso tudo, claro.

Voltando aos blogs de moda: quando eles surgiram com seus looks do dia, era até legal. Era moda da rua sendo mostrada e exibida sem precisar pagar pelo espaço – isso é democracia. Mas aí essa coisa virou moda e a pressão das meninas de dentro do mercado começou a atingir as de fora. Hoje, se seu look do dia não tem a última tendência, um monte de gente pode dar pitaco e dizer que ele está errado.

Sabe o que eu acho errado? Gastar os tubos em todas as tendências do mundo que não tem a ver com você só pra poder ser uma blogueira ou leitora melhor.

Pensei em tudo isso ao reunir duas coisas que aconteceram essa semana: a primeira é que ontem experimentei os sneakers lindos da Lilian e decidi que queria comprar um par porque me senti bonita e confortável.

Foto roubada do Instagram da Lil!

A segunda é que hoje vi essa foto da gata da Joyce do Gostei e Daí? E lembrei: não curti as saias mullet quando experimentei. Achei esquisitas pra caramba, na verdade.

Só que eu entendo que isso foi eu, sabe? A Joyce ficou linda com esse vestido de corte moderninho. E tem gente que não curte nem tem obrigação de curtir os tais sneakers. É a prova que tendência não é pra todas mesmo – é só pra quem quer sair do jeito que gosta e não do que mandaram.

Então a partir de hoje vou lançar a primeira regra de moda da leitora Deborice, ok? Presta atenção, ela é difícil:

Sneaker e saia mullet te fazem feliz? Bota lá e fica bonita. Neon, fluo, pastel, metálico, paetê, renda, texturas dos anos 20 te fazem sorrir? Pode vestir.

Mas só pode porque quando você olha no espelho gosta do conjunto da obra – não porque uma blogueira, revista ou pessoa chata pra caramba te disse que você só é alguém na noite se comprar isso.

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12 pensamentos em “Afinal, o que tá na moda?

  1. Hoje mesmo estava falando disso com as meninas aqui da agência… E o papo foi sneakers e saias mullet (ô medo dessa sintonia maluca!). O legal dessa indústria é a democratização mesmo – sorry, mas eu nunca iria provar um tênis da Isabel Marant, tenho meus princípio$. Aí rolou de ver os tênis bonitinhos em todos os lugares e lojas mais condizentes com o meu salário – fui lá, provei, pensei “meu Deus, que coisa confortável eu quero” e pronto. Não é (só) porque tá na “moda” – isso facilita o acesso, mas eu tenho que escolher se tal peça cai bem em mim, se eu me gosto desse jeito ou não.
    E morro de preguiça de gente que se reveste de preconceito e não usa só porque tá na “moda”. Que lá no fundo até gosta ou poderia gostar, mas fica de mimimi porque “não vou colocar fardinha de blogueira”. Não gostar, não se sentir bem e achar feio é um direito de cada um – mas julgar que quem usa é fashion victim é ridículo.
    Adorei o post, Debs. E concordo em gênero, número e grau contigo: a gente deve vestir o que tem vontade, o que nos faz bem, o que nos faz olhar no espelho e dizer “tô gata”.

    • a gente tem muita sintonia <3. e tem o lado de quando você quer usar algo todo mundo dizer que é fardinha de blogueira também, nem tinha pensado nisso. quero escrever mais agora!

  2. Você tem muita razão! Também me incomoda que temos que nos vestir para parecer o mais alta e magra possível sabe? Tem roupas que achatam a minha silhueta, que dão ênfase nas minhas pernas mais grossas, no bundão, mas eles são meus entende? E se as vezes eu quero mostrar essas minhas características? Eu só uso o que eu me sinto bem no momento, mesmo que não seja a coisa mais favorável pra esse suposto biotipo dos sonhos! Sou muito feliz sendo baixinha e sem nunca ter entrado em uma calça 38! Beijo!

    • isso é bem ditatorial mesmo, ana. é como se a moda fosse feita pra deixar a gente tudo igual. só que não, beleza é ser diferente e se amar! beijão, guria!

  3. Muito legal esse post Debs…
    Eu estava pensando nesse assunto essa semana!
    Acontece que eu adoro acompanhar blogs de moda, mas sou bem “careta” na hora de me vestir… dificilmente uso tendências e prefiro as peças mais básicas… tanto é que tenho algumas roupas que estão comigo há pelo menos uns 10 anos (aff!!) porque nunca saem de moda! Aí eu estava me achando meio fora do mundo real, pensando se não deveria radicalizar e mudar para um estilo mais ousado.
    Mas com esse post refletí que tenho mesmo um estilo “clássico” e que se eu sair por aí usando tudo que vejo nos blogs, não serei mais “eu”.
    Então, como vc disse, a gente precisa se sentir bem e isso é o mais importante!!

  4. Pingback: O Paraná tá na Moda #5 Julho | The Beauty Factory

  5. Adorei o seu blog e realmente vc traduziu meus pensamentos. sempre tive vontade de fazer um blog, por gostar de assuntos “de menina” e querer compartilhar. Meu grande medo realmente é essa pressão que a moda faz e tals.
    OBS.: o blog se chama gostei e agora? e não gostei e dai

    • Monique, brigada pela dica. Pior que eu escrevi errado sabendo o certo e nem notei, dãr! E faça um blog sim. A gente precisa de coisa bonita e original na web!

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