{pensamentos meus} querido santandér

Querido Banco Santandér,

Essa não é uma carta sobre todas as vezes que você me liga e interrompe meu sono, trabalho ou lazer. Não, eu não vou reclamar de novo, não vou te lembrar o quanto isso é inconveniente. Não quero saber como as salsichas são feitas e não vou entrar no mérito de quão estranho é vocês discarem o meu número e saberem que devem chamar pela “Dona Debora” sendo que nunca fui “dona” de nada aí – seja conta corrente, seja poupança… Pra falar bem a verdade, eu nunca entrei numa Agência Santandér, sabe? E isso, somado ao fato de que eu nunca informei meu número pra vocês, já tirou meu sono, mas não mais. Se eu atendo e é você, simplesmente desligo na cara e finjo que não me interromperam pela milésima vez.

Também não quero falar sobre sua insistência que se estendeu a me enviar cartas. Ou sobre como vocês sabiam onde eu morava e continuam sabendo, mesmo depois de uma mudança. Talvez você não tenha percebido minha falta de interesse, mas, sabe, eu não respondi nenhuma das cartas enviadas – nem aquelas com cartões de crédito de presente.

E eu segui. Eu segui como todos seguimos, fingindo que essa invasão é normal, que uma grande corporação fazer isso é normal, que falta de fiscalização é normal, que não é nada demais parar minha vida de novo e de novo e de novo pra responder que não, eu não estou interessada. Ninguém morre de atender telefone diariamente, três vezes por dia, com ID não identificado e sem saber se ignorar pode ser ignorar uma emergência real, né? Muito menos de rasgar correspondências e quebrar cartões plásticos em pedacinhos de quinze em quinze dias.

Eu, inclusive, ignorei todas as vezes em que pensei, preocupada, que se vocês estão emitindo cartões em meu nome que “só precisam ser desbloqueados” pode ser que eu só tenha visto os que chegaram em minhas mãos. Será que vocês chegaram a enviar algum pro meu endereço antigo? Será que meu nome está sendo utilizado sem minha ciência? Pensava essas coisas e deixava pra lá. Como disse, melhor não saber como as salsichas são feitas.

Mas, aí, hoje aconteceu uma coisa muito mais perturbadora, uma coisa que me deu medo do seu potencial stalker, Santandér. Hoje eu recebi a notícia de que vocês estão procurando por mim na casa da minha avó.

Santandér, minha vó mora em outra cidade. Eu nunca morei com ela. Eu nunca passei um tempo lá. Eu nunca forneci o número dela como contato para qualquer tipo de transação nem com você, nem com ninguém. Me explica, por favor, como vocês conseguem ligar pra um número em uma cidade em que eu vivi antes de você existir e antes de eu ser alfabetizada e acertar a casa de alguém da minha família para perguntar mais uma vez por “Por favor, a Dona Debora… Não senhora, seria só com ela”? Me explica como você consegue fazer isso de forma legalizada?

Santandér, se você fosse ex-namorado, eu poderia pelo menos pedir uma Ordem de Restrição. Mas como você é um banco, só posso aguardar seu próximo passo stalker em minha caça – será que vai ligar pra minha tia? Será que vai descobrir o telefone da minha melhor amiga? Será que vai me esperar na saída de uma reunião?

Santandér, entende de uma vez por todas que eu não quero nada contigo, cara. Aceita. Rasga as minhas cartas e não me procura mais?

Porque, Santandér, eu tô com medo de você.

 

De alguém com quem essa incrível técnica de marketing obviamente falhou e jura que nunca será cliente de um banco que não explicar como consegue esses contatos,

Dona Debora Seria Só Com Ela.

{na tela} 8 coisas em comum entre how i met your mother e harry potter

* pode conter spoilers
** pode só fazer sentido se você estiver na casa dos 25 a 30

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Quem está em dia com HIMYM tem uma chance de 89% na escala Richter de estar desidratado de tanto chorar. Serio, você precisa ser totalmente sem coração pra isso não acontecer em alguns momentos dessa série. Sabe como eu chamo isso? Efeito Harry Potter.

O “Efeito HP” (segundo a especialista CAMARGO, Debs) é o que acontece quando o personagem de uma saga cresce e amadurece no mesmo ritmo em que seu público, criando um vínculo emocional muito forte. Ou seja, assim como passamos pela adolescência com Harry, atravessamos a vintolescência com o Ted – e, assim, ficamos mais próximos de ambos.

As alegrias e tristezas, os dilemas e problemas parecidos… Digo até que paramos de brincar com Harry e diminuimos as idas ao bar com Ted. Depois disso, como não chorar vendo nossa vida sendo poetizada assim?

Só que não é só nisso que HIMYM e HP se parecem. Eu até criei uma lista pra vocês com outras semelhanças:

1. Enquanto o personagem principal tá perdidão, os melhores amigos se tornam o casal mais adorável da face da Terra

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Harry está correndo perigo, mas quem se importa? A tensão sexual entre Mione e Ron acontece o tempo inteiro e chama muito mais nossa atenção – a gente nem liga que eles demorem 7 fucking livros pra se pegar. Até porque vai dizer que com onze anos você já tinha the moves like Jagger, né?!

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A mesma coisa acontece com o Ted – e daí que o Ted não tem uma namorada? A Lily e o Marshal nos completam sendo o casal mais casal do mundo. É fácil projetar seu relacionamento no de LillyPad e Marshmallow – porque eles são de verdade demais e isso os torna o melhor casal de séries no universo!

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2. Por causa disso, você começa a não gostar do personagem principal tanto assim

Sério, o Harry é um chatinho presunçoso. Tá, tá bom, cara, você perdeu seus pais, o Voldemort tá te caçando, você tem muita responsabilidade, blablabla. Mas aprenda a reconhecer, pelo menos uma vez, que você depende dos seus amigos e é uma criança realmente sortudíssima. Todo esse drama só me dava vontade de pular seu chororô e ir logo pro que interessava:

tumblr_mklv6b1Fhe1rd5rgwo1_500more Weasleys!

E o que dizer do Ted? “Ai, pobre de mim, digo eu te amo no primeiro encontro e ninguém me ama de volta, não supero a Robin mas vou deixá-la ir…” Ted, por favor, busque terapia. Você é um chato, nem teus filhos te aguentam mais, cara.

3. Ruivos que amamos

Marina Ruy barbosa Who? Nossa inspiração é mais embaixo!

Afinal, você passou a infância inteira querendo ser uma ruivinha Weasley, corajosa e sardentinha. Mas, como mamãe não deixou você pintar o cabelo nenhuma vezinha, você acabou frustradissima, né? Esquece!

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Agora você tem os mil e quinhentos ruivos maravilhosos da Lily pra se inspirar – você pode até escolher o seu favorito! O melhor é que hoje você é uma adulta e pode pintar e ser feliz! Uhu!

5. Dentre todos os dramas, o mais difícil foi lidar com a morte

Como dói perder um personagem querido! E se tem uma saga que ensinou isso pra gente, chama-se Harry Potter. Da morte dramática de Sirius até a perda de um Weasley, cada um que se foi pareceu mais com um braço arrancado do fandom.

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Fonte: Inocent Moon

E, mesmo que HIMYM não tenha mostrado as mortes acontecendo em volta da gente, o episódio Countdown for Badnews (e toda a temporada que se seguiu) foi tipo ter nosso coraçãozinho arrancado do peito.

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Uma curiosidade aqui: Jason Segel não sabia qual seria a “bad news” contada no fim do episódio – eles preferiram filmar assim. Ou seja, aquele “I’m not ready for this” não estava no texto original. Eu sei, você chorou de novo.

6. Gays entre os personagens – e ninguém se importa

Você lembra do escândalo do Dumbledore ser gay? Aquilo foi o máximo, you go JK! Enquanto a Globo ainda não sabe muito bem como inserir um personagem homossexual até hoje, pelo menos sem cair na pataquada, JK escreveu uma saga com um entre os principais em plenos anos 90. Ah! E ele está tão discretamente inserido na trama que ela teve que contar com todas as letras numa coletiva que o dito cujo era gay.

Essa foi, provavelmente, a primeira vez na sua vida que você viu um gay sendo parte normal da sociedade – um favor de JK para nossa geração.

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Assim, crescemos preparados para ver HIMYM, uma série em que um grupo de amigos lida com seus amigos gays de forma completamente normal. Do irmão de Barney a fofa da Cindy – ser gay não é nada demais. É tudo tão normal que você vê um gay flertando com Ted em uma festa e ele se sente lisonjeado em vez de transformar isso em piada – simplesmente como deveria ser.

7. Os personagens secundários também são uma gracinha

Na sua vida você tem os bff’s que sempre estão lá, mas também tem aqueles colegas por perto que dão cor pra história também. A JK enxergou isso e construiu um universo de personagens secundários incrível, fazendo você se apaixonar pela personalidade maluquinha da Luna ou pelo stalker do Collin.

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Já HIMYM não só fez isso, como nos colocou em lágrimas por eles nesse último episódio. Afinal, quem não conhece um azarão Blitz (oh, man!) ou um cara completamente maluco tipo o Capitain (AHOY!). Sem contar a ex do seu amigo com apelido super ridículo, tipo a Boats, Boats, Boats!

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8. Enfim, cada momento em que você chorou no meio da história

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Uma boa saga não faz você chorar só no final – mas te integra em cada pedaço, te faz sentir o que os personagens sentem. Vamos combinar, se você leu a série HP ou passou pelos capítulos de HIMYM sem debulhar-se de lágrimas, você deve ser um sociopata. Serio, eu sou emotiva, mas ambas as séries chegam a ser apelonas com a gente!

Ou seja, e você passou carão lendo HP no ônibus de cara inchada, esteja preparada pra se debulhar de chorar no próximo dia 30, quando HIMYM chega ao fim e a gente passa por tudo isso de novo.

Minha dica? Reuna os melhores amigos – aqueles bests of the bests mesmo, e assistam juntos, chorem abraçados um no colinho do outro. Assim, o vazio deixado pela série pode ser preenchido pela boa companhia depois – já que mais uma coisa em comum que aprendemos nessas duas sagas foi que amigos são uma das coisas mais importantes da vida!

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tumblr_n0jw4rfciJ1t7194no1_500Oh, the feels!

{blogagem coletiva} uma carta para a debs de dez anos atrás

Este post faz parte da blogagem coletiva promovida pelo Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais. O tema deste mês foi inspirado em um post do Blog Hypeness. Para ler todas as blogagens coletivas do Rotaroots, clique aqui. Quer participar? Então faça parte do nosso grupo no Facebook e inscreva-se no Rotation.

Oi, Debs, tudo bem? Não estranha o apelido não – uma pessoa vai passar pela sua vida e te chamar assim e vai ser alguém de quem você vai gostar tanto que vai levar essa lembrança pra sempre.

Sabe, eu vim aqui te contar que muita coisa vai acontecer. O Kevin vai sair dos Backstreet Boys. A Britney vai ficar careca e surtar bonito. A Beyonce vai ser rainha do universo e o Justin vai te causar mais tremeliques que dez Brians reunidos. Sua banda favorita, aliás, está começando a fazer sucesso – embora você não dê muita bola agora. E nada, nada disso vai ser inesperado ou assustador demais comparado ao que vai acontecer na sua própria vida.

Essa vai ser pra sempre uma das melhores, não se preocupe.

Eu, aliás, te digo que são essas coisas assustadoras, emocionantes, novas que vão ser as mais empolgantes. Você só precisa aprender uma coisa para passar por elas: “Isso também passa”. Debora, tudo passa. Toda dor, toda alegria, todo sofrimento, toda expectativa vai embora. Tudo tem começo, meio e fim. E você precisa, mesmo, aprender a parar de surtar no meio achando que algo será interminável. Não vai. Acaba e depois que morre não tem importância.

Exatamente por tudo ir embora tão rápido é que nos próximos dez anos, Debora, é bom você manter olhos e ouvidos bem abertos. Você está prestes a viver a década em que vai conhecer praticamente todo mundo que hoje participa da sua vida.

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A começar pela sua cunhada, com quem seu irmão vai casar esse ano.

Você está a uma distância muito curiosa de mim. Por exemplo, estamos separadas pelo nosso primeiro porre, nossa primeira grande decepção amorosa, nosso vestibular, nosso primeiro emprego, nossa primeira noite fora da casa dos nossos pais, nossa primeira faculdade, nossa primeira viagem sozinhas, nossa primeira grande perda. Coisas que foram imensamente doloridas, vergonhosas, tristes, intensas, que vão te machucar e te marcar como ferro em gado. Pra mim? Todas passado, sepultado e enterrado.

Ok, eu admito: algumas deixaram marcas ainda doloridas. Mas, relaxa, a maioria deixou histórias engraçadas que você ama contar. A única sobre a qual não posso falar muito é a última – nunca cicatrizou porque você e eu nunca soubemos lidar com a perda, né? Você vai chorar todos os dias primeiro, todas as semanas depois, todos os meses… E aí só quando lembrar, finalmente.

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Mas doer vai doer a cada dia. Cada um deles.

Eu gostaria de poder te fazer aceitar não só isso, mas também se aceitar, te fazer se entender, Debora. Eu queria te dizer que seu peso, o formato do seu corpo, a textura do seu cabelo, a aprovação do seu pai, a cobrança intensa e extrema, a falta de traquejo, a necessidade de agradar o tempo todo, que tudo isso ou qualquer um disso algum dia passou. Mas não passa, a gente só aprende a conviver com os monstrinhos do armário. E assim a gente toca.

Um dia você vai acordar e descobrir que você não é um gênio, sabe? Que você não tem nada de especial nem está predestinada a grandes feitos. No fim da corrida não tem biscoitinho de presente: você não vai fazer intercâmbio como sonha, você não vai falar dez línguas antes dos 25, você não vai estar no doutorado aos 26 e, sabe, você não precisa de tudo isso. O prêmio mesmo é o dia em que você descobrir que você nem gosta de tudo isso – são coisas e coisas que alguém gostou por você.

Exatamente como você sempre repudiou, uma outra coisa que nos separa é um casamento – e vai ser a maior e mais linda aventura de todas. Acho que vou te deixar aliviada dizendo, você não teve filhos ainda. Só gatos. É, gatos, não cachorros. Sim, você mudou – suas sete tatuagens e todas as cicatrizes de piercing contam cada pedacinho dessa mudança. E elas não tem nada a ver com esse Mary Jane imundo que logo você vai achar horroroso.

O grande spoiler que eu te trago é que a gente sobrevive. Você vai descobrir quando chegar aqui que não ser professora ou webdesigner ou qualquer uma das vinte profissões que seu pai sonhou pra você não é um grande problema. Sabe o que te separa da felicidade de ser realmente quem você quer ser e não quem os outros esperam? Coragem e algumas sessões de terapia.

Acho que o que eu vim te dizer, Debora, é que vai ficar tudo bem. Esse namoradinho de agora não vale essas lágrimas ao som de My Immortal – logo você nem lembra o nome. Esse sonho de agora, logo você nem lembra o porquê. Essa música favorita, logo você nem lembra a letra. Essa amiga de agora, logo você nem sabe onde mora. O que fica não é nada disso. Não são as coisas, Debora. Mas o quanto tudo isso foi um tijolinho no caminho que te trouxe até aqui.

Seja grata, Debs. Tudo isso parece não fazer muito sentido mas vai nos levar no lugar mais feliz do mundo – onde nós estamos aqui e agora. Sendo quem queriamos e estando com quem amamos – mesmo que você ainda não saiba disso.

Confia em mim, garota. A aventura tá só começando.


Sinceramente,
Você com dezessete quilos, três rugas e dois fios brancos a mais.

PS: Sim, você tem razão: Harry Potter é o melhor livro do mundo e vai ser decisivo sobre toda sua geração – não deixe que te digam o contrário ;) .

{blogagem coletiva} eu não vivo sem…

Sabem a Blogagem Coletiva do #Rotaroots? Então, a desse mês tem um tema bem legal: o que eu não vivo sem? Achei que ia ser mega fácil responder essa, mas precisei pensar muito. Muito mesmo.

Pensei em compras, em decoração, em coisas coloridas, em tudo que é clichê. E percebi que vivo sem isso perfeitamente. Pensei no ~mozão, mas, apesar de ser verdade, ia dar um post piegas pra chuchu e se tem uma coisa que vocês não são nessa vida é obrigados. Pensei, pensei, pensei e cheguei a uma conclusão: eu não vivo sem música.

De verdade. Eu não consigo fazer absolutamente nada sem música. Faço faxina, trabalho, descanso, dirijo, cozinho, tomo banho ouvindo música. Eu chego a comprar mais ou menos em uma loja de acordo com a trilha sonora: já desisti de um pack de bijouterias porque “O Cowboy Vai Te Pegar” estava no repeat – vocês não fariam o mesmo?

O engraçado é que eu gosto de quase todo tipo de música – exceto O Cowboy Vai Te Pegar, claro. Gosto de sertanejo e samba porque gosto de dançar, gosto de rock clássico, gosto de, sei lá, jovem guarda. A coisa funciona de um jeito tão louco que quem me conhece bem acaba usando a ~variedade pra saber o que esperar. E eu resolvi brincar com isso.

Acabei de pegar no player uma lista de dez músicas que eu tenho escutado consideravelmente bastante e rir um monte tentando explicar o que cada uma significa. É muito previsível, quer ver?

Se eu estiver ouvindo…

… Provavelmente é um dia normal. Provavelmente eu to na frente do computador digitando ou no carro dirigindo enquanto grito canto a letra mais amada da banda mais amada. No muito vou parar quinze segundos pra ver um gif do Brandon, achar que a vida é boa e voltar ao normal.

 

… To num dia felizinho. To acreditando na bondade humanidade. To acreditando que tudo vai dar certo. To comprando coroa de flor no eBay. To virada numa hippie, em resumo.

 

… Eu não só estou hippie, mas explicando pras pessoas que revolução e amor são a mesma coisa, contando a história de vida do Che pra todo mundo, pensando em largar tudo pra abrir uma banca de coco na praia ou viajar o mundo, essas coisas. Também é muito interessante observar que quando chegar o refrão eu vou estar gritando REEEEMA, REEEEEEEEEEEMA, REEEEEEEEEMAAAAAAAAAA  e achando perfeitamente normal.

 

… Eu já to tão hippie que se pá eu esqueço de tomar banho. Me abandonem.

 

… Provavelmente, um desses dias em que troco SMS o dia todo com o marido como se a gente tivesse 15 anos e tivesse se conhecido ontem. É bonitinho, mas dá vergonha.

 

… Na hora que o Malk chegar em casa eu vou estar falando em espanhol e vai ter uma Paella a luz de velas na mesa. Ou eu vou planejar isso o dia todo, mas vou esquecer no meio do trabalho e vai ser pizza mesmo. O que importa é o que vai no coração da gente, né?

 

… De duas uma: ou eu to brigando por feminismo na internet ou to fazendo faxina. Ótima trilha pras duas situações, juro.

 

… Certeza absoluta que to decepcionada com alguma coisa do trabalho/vida/prespectivas e tentando achar que um dia tudo vai ser melhor. Mas todos sabemos que nada será melhor enquanto eu continuar ouvindo Coldplay, né mesmo?

 

…Devo estar ~dançativa pela casa no melhor estilo “tenho certeza que estou sexy”. Uma vez eu cai da escada assim (sério mesmo).

 

… Acordei achando que a vida era melhor quando eu tinha 13 anos e que se eu ouvir essa música três vezes e pensar bem positivo eu vou me teletransportar pro Cruzeiro dos Backstreet Boys e vai ficar tudo bem. Uma hora dá certo!

E vocês, também tem essa relação louca com ~trilhas sonoras? Tem alguma música que vocês escutam quando tão muito bravos ou muito felizes? Me contem, me contem!

{cotidiano} because i’m happy

Quem diria que também tem muito amor e vontade de sambar por baixo dos casacos? Minha Curitiba (emprestada, nasci paulista) é conhecida por ser fria, de poucos amigos, não falar com ninguém.

A coisa louca é que esse é o mesmo lugar conhecido como Rússia Brasileira pelo povo da zoera – tudo graças ao número absurdo de bizarrices YouTubicas que já nasceram aqui (duvida? clica aqui, aqui…).

Mas, contra todas as expectativas, o viral Curitiboca da vez é essa coisa lindinha e contagiante aqui:

Não dá vontade de vir pra cá correndo ver tanta coisa linda? Tá, não vou iludir vocês: fora os lugares tipo o MON, Pça da Espanha e algumas áreas do Largo, você não vai encontrar tanto hipster pulando igual um cabrito tanta gente descolada-bonita-feliz. Curitiba é bem tradicionalóide e usar hot pants com um black power não é exatamente bem visto em qualquer lugar – não preciso falar sobre as áreas de colônias alemãs, certo?

Mas, sei lá, a cada ano o pessoal de chapéu da Zara e blusa listrada ocupa um lugarzinho a mais, se importa menos de pegar ônibus e ir de bicicleta e a gente tem a sensação que tudo fica mais colorido.

Quem quiser saber mais sobre o coletivo que desenvolveu o projeto desse vídeo bacana, clica aqui na Page deles!

E vocês? Conhecem Curitiba? Querem conhecer? Reservem sua guia Deborices na caixa de comentários – amo apresentar a cidade pra todo mundo ;) .

{meme} de onde eu blogo?

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Wow! Mas fazia tanto tempo que eu não logava aqui que tentei cinco senhas diferentes até acertar! Enfim, aqui estou. A agenda apertada (desculpa de sempre, coisa de sem vergonha) me fez quase desistir, até dizer pra algumas pessoas que desisti, do blog. Mesmo assim, o Rotaroots me deixou tão animada que, aff, here we go again. E nada melhor que começar respondendo um memezinho gostoso, igual os de antigamente, certo?

De onde eu blogo? Bem, dizem que não dá pra comer a carne onde se ganha o pão, mas eu blogo do trabalho. A parte boa é que o chefe não vai demitir porque, bem, eu trabalho em casa. É do meu home office que eu toco a Meow – agência de marketing digital em que sou sócia da Lilian, o Deborices e, digamos que também, o look do dia.

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Isso porque eu pertenço a essa sequelada geração bloguete, e claaaro que meu sonho de gente grande era um home office com closet. No começo fiz mais por birra, mesmo achando que me atrapalharia, só porque queria ter o equivalente a “caverna do homem” (que expressão de decoração mais idiota, hein, amiga?) sonhado para meu gênerozinho. Mas a idéia até que se revelou algo bem prático: juntando tudo eu ocupei um cômodo só pras duas únicas coisas que são exclusivamente minhas aqui em casa.

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Não é que eu tenha ciúmes do trabalho ou das roupas – divido os dois, principalmente o primeiro. É que a experiência já me disse que duas grandes ciladas pós casamento são dividir armário e mesa de trabalho. Cada louco tem sua mania, seu padrão de organização e todo mundo precisa de um espacinho só seu na vida, mesmo na vida a dois. Além disso, o Malk é que é o bagunceiro, eu sou organizadinha e caprichosa e linda e eu sempre tenho razão, claro. Enfim, eu tenho esse canto e ele tem o canto dele de pintura de miniatura (é, pois é, marido pinta miniatura) e vivemos bem melhor assim.

Principalmente porque aqui eu também posso exercitar meu lado Pinterest da vida sem fazer ele passar vergonha, né? Então ficam aqui meus DIY xoxadíssimos (tipo as bandeirinhas que parecem feitas no Jardim II ou a luminária que se passaria pelo presente de dia das mães do Pré III), minha parede de quadro negro e meu espelho com pisca-pisca. Minha diarista vê essas coisas e diz que eu sou criativa e invento coisa, acha o máximo. Mal sabe ela que eu só tenho acesso a internet igual tudo que é blogueira mesmo.

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Ainda vão rolar umas alterações no projeto de decoração. Por exemplo, quero prateleiras pra por meus livros (esse mix de publicações da Lauren Conrad e de Marketing Digital super lógico), quero tirar o armário onde ficam as roupas e colocar um travessão para pendurá-las, quero nichos para colocar umas coisas decorativas inúteis… Essas coisas. Mas, sabem como é, casa a gente constrói no dia a dia. O importante é ter um cantinho em que a gente se sente bem o suficiente pra fazer nossas loucurinhas, tipo trabalhar sempre com vela cheirosa acesa ou escrever frase chumbrega na parede.

E vocês? Da onde blogam, postam e comentam?

{debs decora} cozinha nova com adesivo de azulejos hidráulicos

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Sabe quando a vida tá sem graça? Quando tá precisando de uma renovada? Era isso que eu pensava da minha cozinha. Não, ela não era uma cozinha feia, era até bem bonitinha. Mas era toda normalzinha – branquinha, móveis de madeira marfim, nhenhenhé. Muito “qualquer cozinha”. Não tinha cara de cozinha da Debs e do Malk – nem de longe. Parecia uma coisa que não encaixava com o resto da casa.

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- Eu sou a cozinha sem graça da Debs e do Malk

Aí eu vi esse post aqui da Casa de Colorir e tudo fez sentido: eu precisava de adesivos pra azulejo hidráulico pra ser feliz! Afinal, eles pareciam super fáceis de aplicar!

Baixei o arquivo que a linda da Thalita disponibilizou e percebi que ele tava facinho de modificar – ou seja, fiquei mais feliz que pinto no lixo (se você mexe com PhotoShop um pouquinho que seja já consegue fazer o mesmo!). Aí foi só ligar pra gráfica, pedir a impressão em adesivo vinílico de 1,05 m x 1,05m (70 realidades e rende 48 “azulejos” de 15 x 15). Olha a cara de felicidade da criança com o adesivão!

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O Malk – sempre ele <3 – cortou todos os quadradinhos bonitinho e aí começamos a colar.

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Para a colagem ficar perfeita é fácil – na verdade, o diy mais fácil que já fizemos nessa casa:

1 – Limpe bem e com álcool os azulejos antes de aplicar;
2 – Organize os adesivos na ordem em que você deseja aplicá-lo antes de iniciar – pra prever surpresas;
3 – Comece a colar o adesivo de uma das pontas superiores (direita se você for destra, esquerda se canhota);
4 – Alise todo o adesivo com um cartão de crédito no sentido da colagem – isso tira as bolhas!

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Tem muita gente que aplica com água e sabão mas eu não manjo desses paranauê. No mais, as dicas que eu te dou é: comece de cima pra baixo com um esquadro à mão. Se você fizer assim, caso um adesivo tenha tamanho diferente do outro, você consegue ir balanceando e fazendo todos ficarem da mesma altura cobrindo sobras com o adesivo de baixo.

Olha como ficou no final:

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Aff, lindemais! Só tenho a agradecer: à Thalita pelo arquivo perfeito, ao Malk pela parceria nas minhas loucurinhas decorativas e ao feriado por ter disponibilizado tempo pra isso ser feito.

E vocês, gostam dessas coisas DIY? Tem algo assim em casa? Mostra pra mim!

{pensamentos meus} formando crianças que se formem sozinhas

Vocês conhecem a Chicco, aquela marca de brinquedos? Aquela que deveria estimular a inteligência, o desenvolvimento, transmitir valores… Toda essa baboseira que todo papi e toda mami quer pro seu filho? Então, tem duas propagandas dela que passam no meu canal favorito – o Discovery Home and Helth – o tempo todo:

06903000011101401zoom_[1]“Com a cozinha da Chicco sua filha aprende a cozinhar pratos deliciosos” – ou algo assim

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“Com a oficina da Chicco seu filho aprende os segredos da marcenaria” – ou algo assim

Poxa, isso é motivo suficiente pra mim pra não comprar Chicco pros meus filhos quando eles existirem. Feminismo? Machismo? Não, empoderamento. Sei lá, eu acho que dizer que meu filho não será capaz de cozinhar sua própria gororoba ou que os dedos delicados da minha princesinha não poderão pregar um quadrinho na parede sem ajuda é meio que chamar eles de imbecis.

Quando eu tiver filhos, quero criar crianças pra vida, quero que meus filhos possam ir além de tudo que eu tiver ido.

Eu vou me sentir falhando miseravelmente se meu filho for um desses homens que morreriam de fome se sozinhos em uma casa com dispensa cheia quando a mulher não tivesse lá pra fritar um ovo. Já conheci imbecis incapazes de colocar leitinho no sucrilhos sem a esposinha fazer e, sinceramente, eu acho deprimente.

Já pra minha filha, tudo que eu não quero é a falta de independência que eu sinto quando percebo que algumas coisas simples da casa me fazem falta até a hora do marido chegar e consertar. Poxa, é muito, muito triste esperar dias pra que algo aconteça porque eu me considero incapaz de realizar. Por favor, filha futura, seja melhor que sua mãe nisso.

É claro, eu quero que meus filhos casem com quem quiser, tenham quantos filhos quiserem ou não e façam isso por paixão, por amor e por vontade. Nada mais triste do que gente que casa e se associa porque não pode viver sem o gênero contrário – como se gêneros fossem contrários – pra resolver pendengas. Quero gente livre.

Aliás, quero o bem dos meus netos também. Viciada que sou em Super Nanny, já percebi que quase toda casa que ela chega a primeira coisa a mudar é fazer com que o inútil do homem que produziu o pequeno demônio a ser domado consiga ser um pouco menos egoísta e ajude sua esposa por, sei lá, meia hora por dia. Todos chegam com o discurso de “Mas, poxa, eu já trabalhei o dia inteiro, o que custa ela me servir meu prato enquanto aquele capeta escala ela pelos cabelos gritando música da Galinha Pintadinha?”. Sério, tem homens que são pais, outros são doadores de esperma…

Enfim, o que eu acho no fim das contas é que se seu problema é nome, isso não é feminismo, não é machismo, é essa ideia louca de que todo ser humano tem direito de ser livre, se virar sozinho, ser feliz, curtir a vida, não depender da boa vontade, não viver uma escravidão velada, não conceber desde a infância que algumas ideias são pra quem tem pombinha e outras pra quem tem piupiu.

Ou seja, é feminismo, sim, graças a Deus. Mas se for pelo bem de uma geração menos leite com pera, sei lá, eu até deixo vocês mudarem de nome pra ficar mais confortáveis. O importante é não aceitar mais que um mega fabricante de brinquedos fique rico dizendo o que uma mocinha poderá fazer ou não no futuro. Eu espero confiar nos meus filhos mais do que isso. E espero que vocês também.

{let’s party!} mesa de doces turquesa, vermelha, branca e marrom

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Essa semana eu fui crismada – é, depois do casamento, nem eu entendo – e, recebi meus padrinhos (pra mim, são os dois) de crisma, os de batismo e minha avó em Curitiba. Como pra mim tudo é uma ótima desculpa pra fazer festa, é claro que aproveitei e chamei os amigos mais chegados da família pra comer como se não houvesse amanhã celebrar.

Fiz um churrasco bem simples e honesto, com decoração de flores do campo e toalhas de renda aqui de casa mesmo. Pra sobremesa, uma mesa de cupcakes self service (eu postei a do chá da Fefê, lembram? Mesma lógica!) e uma mesa de doces mixados que ficou um chuchu.

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Tinha brigadeiro belga, de café, de framboesa, tradicional, dois amores e beijinho – só delícias!

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O legal é que essa mesa foi super econômica. Economizei bastante pedindo os doces mais ~gourmets (belga, café e framboesa) pra Julia Guedes (doceira do meu coração) e os mais simples pra padaria aqui do bairro.

As forminhas azuis foram compradas pro casório e sobraram porque eu desisti de azul. As marrons vieram da padaria mesmo e as douradas foram presente da Juju pra decorar a mesa. Já a louça branca (lindeza) é toda emprestada da rainha do lar mais prendada do mundo, dona Sheilla, que ainda me ajudou com os cupcakes e fez a maionese.

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A toalha de mesa é uma da linha Hercovitch da Zelo que minha mãe me emprestou e as flores são da Flora Casablanca <3.

A festa era pra 26 pessoas e eu pedi doces pra sobrar e se esbaldar nos outros dias, enquanto minha família ainda estivesse por Curitiba. No total eram 450 (sim, exagerei mesmo).

E aí, gostaram? Espero que as fotos sirvam de inspiração pra quem estiver fazendo chá de bebê, chá de lingerie, chá bar, chá disso, chá daquilo e até pra gente louca que nem eu que faz festa até na crisma.

Porque qualquer coisa é desculpa pra gente comemorar, fazer coisa bonita e encher a pança de doce, né mesmo?

{pensamentos meus} quando essa coisa de blog começou

Quando você começou a ler blogs? Eu comecei com uns 12 anos. Entrei nesse mundo porque amava Hello Kittys. Pesquisando imagens pra imprimir e colar no caderno (ai, gente!). Fui parar no Cute Kitty, do Cute Kitty no JustLia e desse em outros milhões.

Era super bacana porque, assim, eu me identificava com os gostos da Lia e me sentia mega bff dela. Ela falava do namorado, da faculdade, da vida, dos jogos, de um filme que viu e algo que comprou e eu me sentia parte daquele dia a dia, assim como do de toda a galera que ela linkava e eu lia. Eu era mais introspectiva na escola, não muito popular e achava que ter um cantinho onde pudesse escrever e ler sobre pessoas interessantes era a maior oportunidade da vida.

Eu era muito juniores na época, mas montei um blog meu. Era incríiiivel: tinha template do Templates By Marina (01 Sdds!), tinha cursor piscante, tocava Sometimes da Britney quando você entrava (em .MIDI), era todo pink – uma cafonalha adorável. Teve uma época que rolava uma revoada de borboletas seguindo o cursor <3.

Outras amigas minhas tinham blogs também – alguns no mesmo nível de jacuzice, outro em um nível dark-jacu com umas coisas góticas… A gente se conhecia por ali e trocava awards piscantes maravilhosos. Receber um award era pura emoção e responder comentários era delicioso. E isso era tudo que a blogosfera era.

É claro que a gente se sentia top da balada quando bombava de comentários, mas eu nunca fui web celebrity. Era mais como um microcosmos, tipo no colégio: o máximo que você ganhava era popularidade no seu mundinho e todo mundo só tava interessado em fazer amiguinhos e colocar gifs pra piscar com frases edificantes.

O tempo passou e eu fui pra faculdade, fui trabalhar, fui fazer outras coisas. Fechei meus blogs, flogs, migrei pro Orkut que era mesmo um bom substituto pra amizadar. Virei apenas leitora desses blogs tão amados, que cresciam absurdamente em audiência. Uma galera que eu lia já tava virando profissa: se não me engano, foi nessa época que a Lia, minha primeira ídola, foi trabalhar na Capricho.

Em algum dado momento disso tudo, a meninada virou mulherada, cresceu e foi comprar maquiagem. Como colocavam tudo no blog, colocaram lá isso também. E aí aconteceu uma coisa louca e inesperada: as marcas de maquiagem perceberam que vendiam mais quando seus produtos eram indicados por essas meninas.

Eu mesma, confesso, comprei coisas por causa delas. Quer dizer, a Vult, a Big Universo… quantas marcas se fizeram em cima de indicação de meninas que compravam as coisas na farmácia com seus primeiros vinténs próprios e postavam no blog? A blogagem ganhou poder porque na geração de quem cresceu lendo, era lógico ser influenciado por essa galera.

As marcas, que não são bobas, quiseram aproveitar esse poder. Começou a folia de jabá, de brinde, de presentinho, nasceram alguns publieditoriais. Nessa época também tinha um pessoal crescendo nas redes sociais, os tuiteiros, que entraram no mesmo bolo.

Como essa aplicação dava retorno, as agências de publicidade correram pra montar setores digitais. Muita gente “de blog” (eu inclusa, que já tinha voltado a blogar) foi ocupar essas vagas de emprego, virando gente especializada em anunciar com o povo da internet. Só que aí começou a rolar dinheiro de verdade, grana alta, e essa grana precisava ser justificada de alguma forma pros donos, ou seja, as marcas.

As agências organizaram todo mundo em maillings, convidaram pra eventos de marcas, essas coisas. Todo mundo andava com cartão de visitas do blog na bolsa, comprava domínio e ouvia a pergunta que nunca mais calou: do que é seu blog?

Nicho, como assim? Hoje é óbvio que se você testa produtos de beleza, é do nicho da beleza. Aí você vai pra um mailling de beleza e as marcas de beleza te procuram pra anunciar. Isso faz dinheiro, ou seja, virou profissão. Mas pra quem lia JustLia em 2003 procurando Hello Kitty pra imprimir isso não fazia o menor sentido.

Hoje coisa mais comum é encontrar em evento blogueiro um monte de gente que está se preparando pra ter um blog de nicho tal. Gente que estuda antes de abrir, faz plano de negócio, pesquisa de pauta, faz festa de lançamento já patrocinada porque é uma mídia nascida pra dar certo.

Aqui de onde eu enxergo, foi tudo muito rápido.  Sei lá, eu gosto de blogar porque eu gosto de falar da minha vida pra vocês e dai fazer amizades em cima disso. E minha vida não é só comprar roupa e maquiagem, até porque essa fatura tem que ser paga e eu não sou blogueira profissional.

Eu não estou falando que acho errado ser blogueiro profissa e de nicho. Acho o máximo que tem gente que fez disso tudo profissão de um jeito novo, que não vai precisar passar por perrengues em grandes mídias por aaanos pra talvez um dia quem sabe chegar a formador de opinião. Acho um caminho incrível. Mas que nem todo blog tem obrigação de seguir.

Isso tudo não é pra mim, eu amo ser blogueira amadora e poder falar abobrinha. A verdade, vou falar, é que eu nem me encaixo nesse modelo porque tenho as mãos e a boca maiores do que isso e não sei filtrar o que pode falar aqui ou o que tem que editar pra termos um blog “de moda” ou “de maquiagem”. Eu ainda escrevo com os mesmos filtros daquela menina de 12 anos.

Vocês já viram que eu passo as vezes séculos sem atualizar, certo? Eu acho que isso é porque eu sinto que meu blog de menininha tem uma obrigatoriedade em falar de make, de moda. E, assim, amo muito tudo isso e gasto pra caramba em sapatos mesmo. Mas às vezes eu tô em outra e fico sem pauta.

Essa semana, por exemplo, eu to cheia dos diy de decoração aqui em casa e um pouco pensativa sobre o dia de finados (!!!). Eu morro de vontade de vir aqui postar isso, mas rola toda uma insegurança – será que minhas meninas vão gostar?

Mas, sabem, eu sou saudosista e quero que o mundo blogueiro de 2006 volte. Eu quero que volte porque eu não aproveitei direito. Eu vejo a galera que era mais velha em 2006 contando histórias e fico com esse sentimento que me bate quando eu ouço Beatles e penso que nunca vou os ver ao vivo.

A parte boa disso tudo é que eu não to sozinha: tem EpicBabeeGuivaneiosPode Chamar de DudsSenariottoMulher VitrolaPresúriaBorboletandoPolypopMaçãs VerdesNerdivaAvec Mes Louboutin e My Other Bag Is Chanel com saudades de trocar figurinha piscando também. Mas, calma, a gente não vai ficar brega. Não muito.

Sobre os temas: não se preocupem – eu sou uma perua que compra muita roupa e vai continuar falando disso. Só não to a vontade pra falar isso como uma senhora profissional expert doutora em comprar roupas e dizer pra vocês quais vocês devem comprar. Na verdade, eu queria poder desabafar sobre meus sentimentos, mostrar meus contos escondidos e saber onde diabos vocês compram roupas também.

Aliás, sabe o que eu acho? Que vocês deveriam abrir um blog também. Botar um cantinho seu na web. Pra falar de maquiagem? De moda? De beleza? De decoração? De casamento? Não: pra falar do que der vontade. Porque se tem uma coisa mais legal que produtos é esse lance de gente falando do que gosta e com paixão. 

E é nessa que eu to agora: por uma blogosfera com mais gente, mais paixão, mais amor do que listas de produtos que eu tenho que ter e comprar. E vocês?

PS: Como eu disse, não tenho nada contra blogs de nicho – leio vários. Isso não é uma luta pra fechá-los, eles são necessários e Deus sabe como seria difícil comprar maquiagem sem as lindas do Coisas De Divas que arrasam.

O fato é que não precisa ser uma guerra que ou você é A ou B – o que faz o falta é mais B’s nesse mundo. Fico triste de ver meninas inibindo seu dom de escrever falando coisas do tipo “mas eu nem sei fazer tutorial de maquiagem”. Se a Bruna Vieira tivesse pensado assim, a gente tinha perdido de ver nascer uma escritora foda com um dom lindo de falar pro coração das meninas. Se é pra se inspirar em cases de sucesso na hora de abrir blogs, prefiro me inspirar na Bruna que não tem medo de ser ela mesma nesse mundo digital.